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Recebeu exigência do DECEA na obra? O que fazer em 5 passos

A exigência não é um "não". É um pedido de informação técnica que, respondido do jeito certo, destrava o processo. Respondido errado, vira retrabalho, embargo e meses de atraso.

Equipe ZPA CODE Publicado em 13 out 2026 Leitura: 9 min Norma conferida em out 2026

Exigência do DECEA é uma notificação dentro do processo de OPEA (Objeto Projetado no Espaço Aéreo) informando que faltou algo para a análise: dado técnico, documento, correção de coordenada ou cota, ou a demonstração de que o objeto respeita as superfícies limitadoras do aeródromo. Ela tem prazo. Se não for atendida, o processo é arquivado e a obra fica sem autorização.

Quem recebe a primeira exigência costuma reagir de duas formas erradas: ignorar, achando que o alvará da prefeitura basta, ou responder às pressas com os dados do projeto arquitetônico, sem conferir cota nem coordenada. As duas levam ao mesmo lugar: nova exigência, ou indeferimento.

Os cinco passos abaixo são a sequência que usamos em análises reais. Eles valem para edifício, torre, antena, guindaste de obra, silo ou qualquer objeto que se projete no espaço aéreo próximo a um aeródromo ou heliponto.

Base normativa A análise de objetos no entorno de aeródromos é regida pela ICA 11-408 (Restrições aos Objetos Projetados no Espaço Aéreo), do DECEA, e pelo Plano Básico de Zona de Proteção de Aeródromos (PBZPA) ou plano específico do aeródromo em questão. O processo tramita pelo SysAGA. Antes de responder, confira a versão vigente da ICA no site do DECEA; os critérios mudam e a exigência sempre se refere ao texto em vigor.

Passo 1: entenda exatamente o que foi pedido

A exigência vem como texto no processo do SysAGA. Leia o documento inteiro, não só o resumo. Identifique três coisas:

Se o texto da exigência não deixa claro qual dado está errado, isso já é informação: quase sempre significa que o problema é de cota ou coordenada, os dois erros mais comuns.

Passo 2: levante os dados técnicos com precisão

A análise do DECEA é geométrica. Ela compara a posição e a altura do objeto com as superfícies do plano. Qualquer erro de entrada gera uma conclusão errada, e o órgão não vai corrigir por você.

O que precisa estar certo:

  1. Coordenadas do ponto mais alto do objeto, em latitude e longitude, no datum SIRGAS 2000. Coordenada tirada do Google Maps ou do projeto em datum antigo é a principal causa de exigência repetida.
  2. Cota do terreno no ponto do objeto, em metros, referida ao nível médio do mar. Obtida por levantamento topográfico, não por estimativa.
  3. Altura total do objeto, do terreno ao ponto mais alto, incluindo tudo o que fica no topo: caixa d'água, casa de máquinas, antena, para-raios, guarda-corpo. E, durante a obra, o guindaste ou grua, que costuma ser mais alto que o prédio pronto.
  4. Altitude final = cota do terreno + altura do objeto. É esse número que o DECEA compara com a superfície.
Exemplo numérico

Edifício a 2.800 m da cabeceira da pista, dentro da faixa da superfície de aproximação de um aeródromo cuja elevação é 720 m.

Cota do terreno (topografia)742,0 m
Altura do edifício (laje de cobertura)38,5 m
Casa de máquinas + caixa d'água+ 4,2 m
Grua durante a obra+ 11,0 m
Altitude final do objeto (com grua)795,7 m

Se a superfície de aproximação nesse ponto estiver, por exemplo, a 790 m de altitude, o prédio pronto passa (784,7 m) mas a grua não (795,7 m). É um caso real de exigência que a construtora só resolve apresentando o plano de içamento e, às vezes, pedindo autorização temporária para a grua.

Passo 3: verifique o enquadramento nas superfícies do PBZPA

Com os dados corretos, o próximo passo é refazer a análise que o DECEA fez: localizar o objeto no plano do aeródromo e calcular a altitude máxima permitida naquele ponto para cada superfície aplicável.

Aqui está a parte que a maioria dos profissionais não domina. As superfícies têm geometria própria: a de aproximação é um plano inclinado que sobe a partir da cabeceira; a horizontal interna é um plano a altura fixa sobre a elevação do aeródromo; a cônica sobe a partir da borda da horizontal interna. Um mesmo terreno pode estar sob duas ou três superfícies ao mesmo tempo, e a mais restritiva é a que manda.

Três resultados possíveis:

É por isso que a análise do PBZPA deveria estar no estudo de viabilidade, antes de comprar o terreno (veja como descobrir a altura máxima do seu terreno). A exigência costuma ser o primeiro momento em que a construtora descobre que existe uma restrição aeronáutica sobre o lote.

Seu projeto precisa passar pelo DECEA?

Marque o que se aplica. O resultado aparece embaixo.

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Passo 4: responda no SysAGA com o que foi pedido, e só isso

A resposta à exigência é feita no próprio processo, no SysAGA. Regras práticas que evitam uma segunda exigência:

Passo 5: não inicie (nem continue) a obra antes do parecer

O alvará municipal autoriza a obra do ponto de vista urbanístico. Ele não substitui o parecer do DECEA. Uma obra com alvará e sem parecer favorável está irregular perante a legislação aeronáutica, e isso pode resultar em embargo, multa e, no limite, remoção do que foi construído acima do permitido.

Enquanto a exigência está aberta, o status do processo não é favorável. Continuar levantando a estrutura é apostar que a resposta será positiva. Quando não é, o custo cai inteiro sobre o empreendedor.

Os erros que mais geram uma segunda exigência

ERRO 01

Coordenada em datum errado. Projeto em SAD 69 ou Córrego Alegre, ou coordenada copiada do Google Maps. A diferença pode passar de 60 m, o suficiente para mudar a superfície aplicável.

ERRO 02

Cota do terreno estimada. Tirada de carta antiga ou de modelo digital genérico. Em terreno em aclive, o erro chega a vários metros.

ERRO 03

Altura só até a laje. Esquecer caixa d'água, casa de máquinas, antena, para-raios e, principalmente, a grua.

ERRO 04

Considerar só a superfície de aproximação. O terreno pode estar sob a horizontal interna ou a cônica, que são mais restritivas em muitos pontos.

ERRO 05

Responder sem documento de origem. Dado sem levantamento assinado é dado sem valor para a análise.

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Perguntas frequentes

Exigência do DECEA é o mesmo que indeferimento?

Não. A exigência pede complementação ou correção e mantém o processo aberto. O indeferimento encerra o processo com parecer desfavorável. Atender bem a exigência é justamente o que evita o indeferimento.

O alvará da prefeitura dispensa a autorização do DECEA?

Não. São análises independentes, com bases legais diferentes. A prefeitura avalia o uso do solo; o DECEA avalia a segurança do espaço aéreo. A obra precisa das duas.

Minha obra fica a 15 km do aeroporto. Ainda preciso me preocupar?

Possivelmente. A superfície horizontal externa de aeródromos maiores pode se estender por dezenas de quilômetros. Objetos altos ou em terreno elevado podem ser atingidos mesmo longe da pista. Só a análise no plano do aeródromo responde com certeza.

Quem pode responder à exigência?

O responsável pelo processo no SysAGA, geralmente o proprietário ou um profissional habilitado por ele. Os documentos técnicos (topografia, projeto) precisam de responsável técnico com ART ou RRT.

Quanto tempo o DECEA leva para analisar a resposta?

Varia com a complexidade do caso e com a carga do órgão. Resposta completa e bem documentada tende a ser analisada mais rápido do que uma que gera nova exigência. Não há prazo fixo garantido.

O que fazer se o objeto ultrapassa a superfície e não dá para reduzir a altura?

Existe a possibilidade de estudo aeronáutico demonstrando que o objeto não compromete a operação, com eventual sinalização e balizamento. É um caminho mais longo e custoso, que precisa ser avaliado caso a caso e sempre antes de construir.